'Sistema é absolutamente seguro', diz Nunes após vazamento de dados do Smart Sampa

  • 20/10/2026
(Foto: Reprodução)
Dados de câmeras da Smart Sampa vazam; prefeitura nega falha no sistema e acusa servidor O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), defendeu nesta terça-feira (20) que o sistema de câmeras de vigilância Smart Sampa é "absolutamente seguro", após reportagem publicada pelo UOL revelar vazamento de dados do programa. Informações sigilosas ficaram expostas na internet por cerca de 11 meses, permitindo o acesso indevido a imagens de mais de 58 mil câmeras conectadas à plataforma. Segundo o prefeito, não houve invasão ou hackeamento do sistema, mas acesso indevido por meio de senhas que foram disponibilizadas ilegalmente por um funcionário concursado, que entrou em 2023 na prefeitura, e "trabalhava no setor que mantinha senhas em uma plataforma". Esse funcionário vinha sendo monitorado e foi demitido depois que o vazamento foi revelado, disse Nunes. "A prefeitura já tinha conhecimento e vinha monitorando, numa espécie de isca, pra ver se tinha acesso irregular", declarou em entrevista coletiva após agenda na região central da cidade. Câmeras de vigilância do programa Smart Sampa, da Prefeitura de São Paulo. Divulgação/PMSP "O fato desse GCM já ter algumas senhas armazenadas, que a gente não sabe porquê, isso vai ser investigado, tá na corregedoria. Por que ele tinha algumas senhas armazenadas num determinado local? A gente vinha monitorando, inclusive no sistema de isca, para saber se alguém faria o acesso. Como o jornalista acaboupublicando, aí a gente acabou fazendo a demissão e colocando isso a público na corregedoria, mas era algo que a prefeitura vinha monitorando", acrescentou Nunes. O prefeito também afirmou que não houve registro de uso indevido das imagens do programa. "Garantimos que o sistema tem nível de segurança muito alto e muito seguro", disse. Questionado sobre o motivo do Smart Sampa não ter solicitado a verificação em duas etapas para autorizar o acesso à plataforma, Nunes afirmou que "os níveis de segurança vão aumentando gradativamente", e que nos próximos meses servidores terão de fazer cadastro de biometria facial para acessar o sistema. Smart Sampa custa R$ 10 milhões por mês São Paulo assina contrato hoje com empresa de vigilância vencedora do Smart Sampa Lançado em 2024 como uma das principais apostas da gestão Ricardo Nunes (MDB) para a segurança pública de São Paulo, o Smart Sampa conta com uma central de monitoramento que funciona 24 horas por dia e recebe imagens de câmeras públicas e privadas integradas ao programa. O investimento mensal é de cerca de R$ 10 milhões. O sistema utiliza inteligência artificial para comparar imagens captadas pelas câmeras com bases oficiais de procurados pela Justiça e pessoas desaparecidas. A tecnologia também permite identificar veículos roubados, furtados ou com suspeita de clonagem de placas. Em junho de 2026, a prefeitura lançou o aplicativo Smart Sampa Cidadão, que permite aos moradores colaborar na identificação de veículos com restrições por meio da câmera do próprio celular. Na mesma ocasião, Ricardo Nunes anunciou a contratação de um helicóptero equipado com tecnologia de monitoramento, ao custo estimado de R$ 2 milhões por mês. Segundo o balanço mais recente divulgado pela prefeitura, o Smart Sampa já havia contribuído para a captura de 3.628 foragidos da Justiça e a localização de 284 pessoas desaparecidas. Estudo questionou eficácia do Smart Sampa Aposta de Nunes, câmeras do Smart Sampa não inibem furtos e roubos de celulares em Pinheiros; região lidera casos em SP Apesar dos resultados apresentados pela administração municipal, a eficácia do programa na redução da criminalidade foi questionada por pesquisadores. Um estudo do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), intitulado “Smart Sampa vigia, mas não protege”, concluiu que a instalação do sistema não produziu redução estatisticamente significativa nas taxas de furtos, roubos e homicídios na capital paulista. A pesquisa analisou dados entre março de 2024 e abril de 2025, comparando os indicadores de São Paulo com os de outros municípios do estado que não haviam adotado o programa. O levantamento também não identificou aumento significativo na produtividade policial, medida pelo número de prisões em flagrante e pelo cumprimento de mandados judiciais. O estudo ainda apontou erros de identificação cometidos pelo sistema de reconhecimento facial nos primeiros meses de 2025. Entre os casos relatados estão o de um policial militar fardado confundido com um foragido, o de um jardineiro voluntário de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) preso injustamente e o de uma mulher grávida que teve parto prematuro após ser abordada pelo sistema. Segundo os pesquisadores, os erros estavam relacionados a falhas nos algoritmos de reconhecimento facial, que tendem a apresentar mais dificuldades na identificação de pessoas negras, e a bancos de dados desatualizados, com mandados que já deveriam ter sido retirados do sistema. O estudo também destacou o potencial de viés racial da tecnologia. Uma pesquisa do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), de 2018, mostrou que sistemas de reconhecimento facial erravam até 34% ao identificar mulheres negras, enquanto a taxa de erro era de 1% na identificação de homens brancos. A Prefeitura de São Paulo contestou a metodologia e as conclusões do estudo do CESeC. Segundo a gestão municipal, a pesquisa fez comparações inadequadas entre a capital e cidades com características sociais, econômicas e criminais diferentes. Em outra reportagem, o g1 mostrou que a presença de milhares de câmeras integradas ao Smart Sampa não impediu a continuidade de roubos e furtos de celulares na região de Pinheiros, na Zona Oeste da capital. Dados da Secretaria da Segurança Pública * Sob supervisão de Cíntia Acayaba

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/10/20/sistema-e-absolutamente-seguro-diz-nunes-apos-vazamento-de-dados-do-smart-sampa.ghtml


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