Mecânico de locomotivas aposentado ganha festa de 102 anos com tema ferroviário em Sorocaba

  • 03/11/2026
(Foto: Reprodução)
Mecânico de locomotivas aposentado ganha festa de 102 anos com tema ferroviário “O Trenzinho do Caipira”, uma das obras mais conhecidas de Heitor Villa-Lobos, é inspirada nas viagens do maestro brasileiro pelo interior do país e simula o ritmo de um trem em movimento. Anos depois da composição, a melodia ganhou uma letra do escritor Ferreira Gullar, que criou os versos: “lá vai o trem com o menino, lá vai a vida a rodar”. Aos 102 anos, o mecânico de locomotivas aposentado Cláudio Guilherme Raszl continua percorrendo a estrada de ferro da vida com o entusiasmo de um menino e maturidade para olhar para trás e perceber que tudo valeu a pena. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp O idoso de Sorocaba (SP) fez aniversário no dia 27 de outubro de 2026 e ganhou uma festa que reuniu parte da numerosa família, mantendo a tradição de celebrar a data. O tema da comemoração não poderia ser outro: trens. Afinal, o mecânico dedicou mais de 40 anos aos reparos das locomotivas que cruzavam a malha ferroviária brasileira. O mecânico de locomotivas aposentado Cláudio Guilherme Raszl, de Sorocaba (SP), ganhou uma festa com tema ferroviário para comemorar os 102 anos. Arquivo Pessoal/Divulgação A carreira de mecânico de locomotivas começou na companhia Estrada de Ferro Sorocabana, em 1944, aos 20 anos. Antes disso, trabalhou em estamparia, fábrica de óleo, metalúrgica e oficina de carroças. Na empresa ferroviária, só foi efetivado mesmo em 1945, ano do fim da Segunda Guerra Mundial. “Eu comecei na montagem de locomotiva. Depois, eu passei para a seção especializada. Quando terminou a guerra, eu já estava lá trabalhando. Eu me lembro que íamos fazer experiência de uma máquina, estava tudo preparado. Aí, acabou a guerra e parou tudo. A Sorocabana começou a apitar, todas as fábricas, o sino bateu, foi uma festa que fizeram”, relembra. Do período na Estrada de Ferro Sorocabana, são tantas lembranças que Raszl não consegue escolher a mais marcante. Ele lembra com satisfação da rotina, mesmo revelando uma jornada de trabalho pesada, com cerca de 14 horas diárias. O aposentado fazia horas extras e trabalhava, inclusive, aos fins de semana para aumentar a renda da família. “Eu entrava às 6 da manhã, porque eu fazia uma hora extra para manutenção nas máquinas e uma outra hora extra à tarde. Depois, no resto do dia, eu fazia serviços nas peças e no setor. Saía mais ou menos às 20 horas. Eu precisava das horas extras, porque a criançada estava na escola, tinha muita despesa”. Proporcionar o sustento para a família e estudo para os quatro filhos era a motivação de Raszl para a rotina sacrificante. “Minha esposa queria até trabalhar fora para ajudar em casa, mas, no fim, não deu certo. Eu falei que ia me jogar para darmos estudo para os filhos, que tinham as cabecinhas frescas. Uma coisa que ninguém rouba é o diploma, a melhor herança que podíamos deixar”, conta o aposentado. Após quase 30 anos na Sorocabana, Raszl se aposentou, mas não parou de trabalhar. Em seguida, ele foi contratado pela Aço Paulista, onde passou outros 18 anos antes de deixar a função definitivamente. “Deu para acertar a vida. Mas eu nunca fiquei parado, sempre tive que fazer as coisas em casa, consertos”, completa. Cláudio Guilherme Raszl trabalhou por mais de 40 anos fazendo reparos em locomotivas que circulavam pela malha ferroviária brasileira Arquivo Pessoal/Divulgação Família e comemorações Se a rotina de trabalho resultou em menos tempo com a família, depois de mais de quatro décadas, Raszl decidiu aproveitar os momentos com os quatro filhos, 10 netos e sete bisnetos. Todos fazem parte de um grupo em um aplicativo de mensagens, usado para marcar os cafés aos sábados. O aniversário do aposentado também não passa em branco e, anualmente, a família se reúne para celebrar a vida de Raszl, mesmo que nem sempre seja possível ter todos os membros presentes. “Dessa vez, eu consegui reunir uma boa turma. É uma família muito grande”, ressalta. Apreciador de cerveja, gosto que atribui como herança do avô austríaco, o aposentado queria, em 2026, que os convidados tomassem chopp à vontade e curtissem a festa. Por isso, a comemoração foi realizada em um buffet, ao contrário dos anos anteriores, quando a família ficou responsável por celebrações mais caseiras. Cláudio Guilherme Raszl e Ruth Todesco: o cravo como símbolo de quase 80 anos de união Arquivo Pessoal/Divulgação Quase 80 anos de união Em julho de 2026, Raszl lidou com a perda da esposa Ruth Todesco, com quem ficou casado por quase 80 anos. Na despedida da companheira, que passou os últimos anos acamada, o aposentado resgatou um símbolo que marcou a relação dos dois. “Cada filho, neto e bisneto jogou um cravo e ele guardou um para secar junto com o cravo da época de namoro, que ele tem até hoje”, conta a neta Ana Beatriz Raszl Cortez. 'Valeu a pena' Ao relembrar os mais de 100 anos de vida para o g1, Raszl diz perceber que todo o esforço foi recompensado. “Valeu a pena. Eu e minha patroa trabalhamos bastante”, constata. E, aproveitando a convivência com a família após décadas de trabalho, o aposentado já pensa na próxima comemoração de aniversário. “Eu avisei a turma que, se tiver dinheiro, a gente faz qualquer coisa. Sempre tem uma novidade”, finaliza Raszl, uma locomotiva que segue viagem a todo vapor. Aos 102 anos, o mecânico de locomotivas aposentado Cláudio Guilherme Raszl relembra a trajetória e constata que tudo valeu a pena Erick Rodrigues/g1 Atuando como mecânico de locomotivas, Cláudio Guilherme Raszl trabalhou nas companhias Estrada de Ferro Sorocabana e Aço Paulista Arquivo Pessoal/Divulgação Initial plugin text Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sorocaba-jundiai/noticia/2026/11/03/mecanico-de-locomotivas-aposentado-ganha-festa-de-102-anos-com-tema-ferroviario-em-sorocaba.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

QUAL MÚSICA VOCÊ QUER OUVIR?

Anunciantes