Justiça de SP nega pedido de prisão dos donos de academia onde aluna morreu

  • 13/02/2026
(Foto: Reprodução)
Os três donos da academia C4 Gym, em São Paulo, saindo da delegacia com advogado após depoimento sobre morte de aluna Jornal Nacional/ Reprodução A Justiça de São Paulo negou, nesta sexta-feira (13), o pedido de prisão temporária dos donos da academia C4 Gym, na Zona Leste da capital, onde uma aluna morreu após aula de natação no último fim de semana. A polícia indiciou os três sócios por homicídio com dolo eventual - quando se assume o risco de causar uma morte. O pedido de prisão dos três sócios pela Polícia Civil tinha recebido manifestação favorável do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), mas a Justiça optou pela imposição de medidas cautelares, como o comparecimento mensal em juízo, a proibição de manter contato com testemunhas e a restrição de acesso às imediações da academia. A decisão proferida pela juíza Paula Marie Konno, da 2ª Vara do Júri, justifica na fundamentação jurídica que a prisão cautelar deve ser a "exceção da exceção", sendo aplicada apenas quando outras medidas não forem suficientes. A prisão preventiva será determinada somente em caso de descumprimento das condições impostas. A juíza considerou que o risco à integridade das provas está mitigado, uma vez que a academia já se encontra lacrada. Além disso, a perícia na água da piscina foi realizada, produtos químicos foram apreendidos e a perícia no local já foi devidamente requisitada. Ainda segundo a decisão, não houve registros concretos nos autos de que os sócios estivessem, de fato, intimidando ou constrangendo testemunhas do caso. MP é favorável à prisão dos donos da academia em que aluna morreu depois de natação Em nota à imprensa, os advogados Rafael Serra Oliveira e Caio Rimkus, que representam os sócios da C4 Gym, disseram que eles "cumprirão fielmente todas as cautelares alternativas impostas pela Justiça". "Reiteramos que eles permanecem inteiramente à disposição das autoridades competentes para quaisquer esclarecimentos, em qualquer momento, confiando que a investigação prosseguirá de forma técnica, isenta e em estrita observância às garantias constitucionais", diz o comunicado. Polícia pediu prisão após interrogatórios A Polícia Civil de São Paulo pediu a prisão temporária de Cézar Terração e dos irmãos Cesar e Celso Bertolo Cruz após ouvi-los separadamente. No pedido de prisão, a polícia argumentou que os sócios dificultaram a investigação porque não deram acesso aos produtos químicos usados na piscina, nem mesmo uma relação de alunos que frequentavam as aulas de natação. Eles também não procuraram a polícia - e a delegacia fica do outro lado da rua. “O motivo da prisão temporária é garantir o sucesso da investigação, que nesse caso é muito importante para que o inquérito esteja perfeito e que os fatos estejam esclarecidos”, declarou o delegado Rodrigo Rezende. LEIA TAMBÉM: Veja prints de troca de mensagens entre dono de academia onde aluna morreu e funcionário que manipulou químicos O delegado do caso também afirma que ficou comprovado, após o depoimento dos três empresários e do manobrista Severino, que houve tentativa de ocultar informações para encobrir a responsabilidade pelo tratamento da piscina, que era de realizada pelo manobrista Severino José da Silva a partir de ordens via WhatsApp - ele não foi indiciado. Suspeita de intoxicação por cloro O delegado responsável por investigar as causas e responsabilidades pela morte de Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, afirmou que a academia usava, em apenas um dia, a quantidade de cloro que deveria ser aplicada ao longo de uma semana em piscinas do mesmo porte. A suspeita da Polícia Civil é a de que ela e outras seis pessoas que passaram mal foram intoxicadas por cloro. O laudo pericial que poderá apontar isso ainda não ficou pronto. A academia foi interditada pela prefeitura. Imagens mostram funcionário com produtos químicos em piscina que mulher morreu em SP "A carga de cloro que eles usavam em um dia é usada em uma semana numa piscina desse tipo", disse o delegado Alexandre Bento, do 42º Distrito Policial (DP), Parque São Lucas, na quinta-feira (12). Ele não informou a quantidade. A polícia apura se a manipulação inadequada do produto químico, realizada por um manobrista sem qualificação técnica, gerou a liberação de gases tóxicos. Câmeras de monitoramento da academia registraram fumaça branca saindo de um balde com a mistura usada na piscina instantes antes da aula. Outras imagens mostram as vítimas pedindo ajuda.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/02/13/justica-de-sp-nega-pedido-de-prisao-dos-donos-de-academia-onde-aluna-morreu.ghtml


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