Família comandava esquema de tráfico com armas pesadas, blindados e rota para a Europa
04/11/2026
(Foto: Reprodução) Grupo ligado ao PCC e PGC é alvo de operação em MS que investiga participação de policiais
Uma organização criminosa liderada por três irmãos e outros integrantes da própria família mantinha uma estrutura dividida em diferentes funções para traficar drogas e armas entre países. O grupo comprava os produtos na Bolívia, no Paraguai e no Peru, utilizava a fronteira de Mato Grosso do Sul para levar as cargas ao Brasil e abastecia outros estados. Parte dos entorpecentes também tinha como destino a Europa, principalmente Espanha e Portugal.
A estrutura foi detalhada pela Polícia Federal e pela Receita Federal durante a investigação que resultou na Operação IFRIT, deflagrada nesta quarta-feira (4), em sete estados.
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Segundo os investigadores, o comando ficava concentrado em um núcleo familiar formado por três irmãos, filhos e outros parentes. Abaixo das lideranças, havia integrantes responsáveis pelas finanças, transporte, logística e segurança armada.
A divisão de tarefas permitia que diferentes pessoas cuidassem de etapas específicas do esquema, desde a compra das drogas e armas até a distribuição das cargas e a movimentação do dinheiro.
Fronteira de MS era porta de entrada das cargas
Família comandava esquema de tráfico com armas pesadas, blindados e rota para a Europa
Receita Federal/ Polícia Federal
De acordo com a investigação, drogas e armamentos eram adquiridos principalmente na Bolívia, no Paraguai e no Peru. Os produtos entravam no Brasil pela faixa de fronteira de Mato Grosso do Sul e depois eram encaminhados para municípios do estado e outras unidades da federação, especialmente São Paulo, Paraná e Santa Catarina.
O Brasil também era utilizado como ponto de apoio para o envio de drogas ao exterior. Os entorpecentes eram armazenados e transportados por uma estrutura logística que atendia às remessas destinadas ao mercado europeu, principalmente Espanha e Portugal.
Grupo usava blindados, drones e armas pesadas
Para manter as atividades e proteger seus integrantes, a organização contava com armamento de alto poder ofensivo, equipamentos de comunicação, drones e veículos blindados.
Segundo a PF e a Receita Federal, também havia estruturas destinadas a abrigar integrantes armados e estratégias de contrainteligência, usadas para dificultar a descoberta das atividades criminosas e proteger as lideranças.
A investigação identificou ainda possíveis vínculos com facções criminosas e a colaboração de agentes públicos. Policiais teriam fornecido informações estratégicas e apoio ao funcionamento da organização.
Delegado já havia sido preso em operação do Gaeco
Um dos alvos da Operação IFRIT é o delegado da Polícia Civil Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, que recentemente também foi investigado em outra operação contra o crime organizado em Mato Grosso do Sul. Em 24 de setembro, ele se entregou à Corregedoria da Polícia Civil e foi preso durante a Operação Infiltrados, realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).
Na ocasião, Hoffman era suspeito de usar o cargo público para desviar drogas apreendidas em ocorrências policiais e repassá-las a uma organização criminosa. Antes de assumir a 6ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande, ele havia chefiado a Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar) e o Grupo de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras).
O advogado dele, João Pedro Fialho, confirmou que a casa do delegado foi alvo de busca e apreensão nesta quarta-feira. Disse também que ainda não falou com Hoffman.
Preso na mesma operação do Gaeco, o policial civil Douglas Tobias, também foi alvo de mandados nesta quarta-feira. A defesa dele informou que acompanhou a busca e apreensão cumprida regularmente hoje, mas ainda não teve acesso aos autos da medida cautelar e do inquérito.
"De todo modo, Douglas Tobias mais uma vez demonstrou se tratar de pessoa idônea, profissional exemplar e que nada tem a esconder, estando à disposição para prestar esclarecimentos e esperando que se faça justiça.", disse o advogado Luiz Renê.
Dinheiro passava por empresas e contas de terceiros
A estrutura também tinha um esquema para esconder os recursos obtidos com as atividades ilegais. Em aproximadamente dois anos, a organização movimentou mais de R$ 500 milhões, conforme as análises financeiras da investigação.
Para dificultar o rastreamento, o dinheiro circulava por contas vinculadas a investigados e operadores financeiros, empresas de fachada e negócios simulados. A Receita Federal identificou indícios de ocultação de patrimônio e uso de outras pessoas para disfarçar quem era o verdadeiro dono dos recursos.
Organização atuava desde 2018
As investigações apontam que o grupo mantinha uma estrutura estável e permanente pelo menos desde 2018.
A apuração começou após o compartilhamento de informações obtidas em outro procedimento investigativo. Com autorização judicial, a PF e a Receita Federal realizaram análises bancárias, fiscais, patrimoniais e telemáticas, além de diligências de campo.
A Operação IFRIT cumpre 76 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, São Paulo, Paraná, Rondônia, Goiás e Santa Catarina. A ação mobiliza 450 policiais federais, 22 auditores-fiscais e sete analistas tributários da Receita Federal.
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