Do fundo dos bretes à diretoria executiva da PBR Brasil: conheça a mulher que quer popularizar a montaria em touros no país

  • 05/09/2026
(Foto: Reprodução)
Do fundo dos bretes à diretora executiva: quem é a mulher que comanda a PBR no Brasil Flávia Moraes, de 56 anos, diretora-executiva da Professional Bull Riders (PBR) Brasil desde 2021, tem uma meta ambiciosa: fazer da montaria em touros o segundo esporte mais assistido do país. A barreira que ela aponta não está dentro da arena. "Esses competidores são os heróis anônimos do Brasil", diz. "Não importa o sucesso que eles fazem lá fora: a maioria do povo brasileiro ainda hoje desconhece." Poucas pessoas conhecem esse meio por dentro como ela. Flávia está no rodeio desde 1989, quando conheceu Adriano Moraes, que viria a se tornar tricampeão mundial da modalidade. Por quase quatro décadas, cuidou da carreira dele: negociou patrocínios, acompanhou contratos e fez a ponte com a PBR, a liga americana que organiza a elite da montaria em touros. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Flávia Moraes, diretora-executiva da PBR Brasil, em palestra sobre o futuro do rodeio Reprodução/Redes Sociais Hoje ela dirige a operação brasileira dessa mesma liga, que completa 20 anos no país em 2026 e encerrou a temporada 2025/2026 na Festa do Peão de Barretos (SP), que chegou ao fim no último domingo (30). É esse percurso, do fundo dos bretes à diretoria executiva, que ela aponta como o diferencial da própria gestão. "É a nossa missão e é o legado do Adriano. Competência, é muito estudo, é acompanhar o que está acontecendo, é conhecer de perto o chão de fábrica", diz. "O que nos motiva é poder carregar esse legado que o Adriano conseguiu há mais de três décadas, que é valorizar os competidores, valorizar o esporte, valorizar o rodeio." João Paulo Velasco, de Paranaíta (MT), conquista o título nacional da PBR Brasil na Festa do Peão de Barretos 2026 Érico Andrade/g1 'Heróis anônimos' Flávia diz que o trabalho principal da liga é a valorização do competidor, e que isso vai além do prêmio em dinheiro. "Vai desde a premiação até o hotel em que eles ficam, até como a mídia divulga os profissionais do rodeio", afirma. "Eu costumo dizer que esses competidores são os heróis anônimos do Brasil, porque não importa o sucesso que eles fazem lá fora: a maioria do povo brasileiro ainda hoje desconhece." A final nacional em Barretos reuniu cerca de R$ 750 mil em prêmios, segundo a liga — R$ 450 mil em dinheiro e uma picape avaliada em R$ 300 mil, entregue ao campeão da temporada. O vencedor, João Paulo Velasco, fechou o ano com R$ 890,8 mil, somando etapas, bônus e o valor do veículo. O dinheiro, no entanto, se concentra no topo. Os dez primeiros do ranking dividiram R$ 2,014 milhões, cerca de 57% de tudo o que a liga distribuiu na temporada. Só Velasco ficou com um quarto do total. Os outros nove do grupo levaram, em média, R$ 124,8 mil cada. Silvano Alves, José Vitor Leme e Adriano Moraes são tricampeões mundiais da montaria em touro, marca exclusiva de brasileiros Divulgação O hiato dos anos 2000 Na leitura dela, o rodeio brasileiro viveu um auge nos anos 1990 e depois um longo período de retração. "Na década de 90, que foi o grande boom do rodeio, as premiações do Brasil eram maiores do que as dos Estados Unidos", diz. Depois veio o hiato: "Tudo foi diminuído, em alguns lugares até sucateado." Ela atribui parte da queda à ausência de Adriano do país, já que ele competia nos Estados Unidos. "Ele sempre foi um grande representante, um grande porta-voz da classe." A recuperação, segundo ela, é recente e ligada ao pós-pandemia, com aumento nas premiações e melhora no tratamento dado aos competidores. Flávia afirma que a PBR foi o "carro-chefe" desse movimento. Em 2006, Adriano Moraes fez história no rodeio ao se tornar o primeiro tricampeão mundial Andy Watson A temporada que acabou em Barretos teve 34 etapas em seis estados: São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Ao todo, são mais de R$ 3,5 milhões distribuídos em prêmios, informa a liga. Como sinal da profissionalização, ela cita a tecnologia usada na arena: os juízes trabalham com tablets, e a nota digitada em Barretos entra no servidor internacional da liga. "Se você clicar no site americano, a nota vai estar lá." A liga informa ainda que 12 etapas foram transmitidas ao vivo por um canal esportivo de TV por assinatura entre março e agosto, somando mais de 100 horas de conteúdo ao vivo, além das reprises e de um programa semanal. De 'esposa de peão' a diretora-executiva A virada veio depois da pandemia. Segundo a PBR Brasil, a matriz americana transferiu a administração integral da operação brasileira para a empresa no país em outubro de 2021. Os primeiros eventos vieram em dezembro daquele ano, já valendo para o calendário da temporada de 2022. Foi nesse momento que Flávia assumiu a diretoria executiva. Adriano segue como presidente. Flávia, Adriano e os filhos do casal Reprodução/Redes Sociais Até então, o Brasil era a única franquia da liga fora dos Estados Unidos em que a matriz mantinha participação ativa na gestão: Austrália e Canadá já operavam de forma independente havia anos, informa a PBR Brasil. A operação brasileira continua seguindo as regras da PBR Inc. e respondendo diretamente a ela em vários assuntos. Segundo a liga, o campeonato brasileiro é hoje o mais forte fora dos Estados Unidos em número de eventos, público, premiação e formação de atletas. "De forma alguma eu imaginei que um dia eu pudesse estar à frente da diretoria executiva da PBR Brasil", afirma Flávia. "Não somente eu. Nós trouxemos toda a nossa família para essa missão, porque a PBR para a gente não é somente uma empresa, um trabalho. É a nossa vida." LEIA MAIS: Festa do Peão de Barretos 2026 recebeu um milhão de visitantes, diz organização De menino de 6 anos ao campeão inédito do Cutiano: veja quem levou os títulos do rodeio de Barretos 2026 Chitãozinho & Xororó são anunciados embaixadores de Barretos 2027, e trecho de 'Evidências' vira tema da festa pela 1ª vez De R$ 300 mil a R$ 2,5 milhões: veja quanto cada artista doou ao Hospital de Amor na Festa do Peão de Barretos Cinco mulheres na equipe Não há, segundo Flávia, mulheres competindo na montaria em touros no Brasil. A presença feminina no rodeio se concentra nas provas com cavalos, como os três tambores. Fora da arena, a proporção também é pequena. Na Final Nacional em Barretos, a liga contratou diretamente cerca de 50 pessoas para produção, direção, mídia, competição e outras funções ligadas ao esporte. Cinco eram mulheres, sendo quatro trabalhando no evento e uma no escritório. O número total de pessoas mobilizadas por uma etapa é bem maior. Além dos contratados diretos, a liga cita 25 competidores, cerca de 50 pessoas envolvidas com as 13 boiadas presentes e outras 15 a 20 de empresas terceirizadas, como a produtora de TV e a equipe do show pirotécnico. São cerca de 140 pessoas para uma noite de montarias. A PBR Brasil afirma não ter como precisar quantas pessoas trabalham na operação ao longo do ano, porque parte dos contratos é pontual, por evento. Flávia e Adriano Moraes têm como missão promover o rodeio dentro e fora do Brasil Arquivo pessoal Barreiras e respeito Flávia diz não ter enfrentado resistência nem quando circulava nos bastidores como esposa de competidor, nem depois, no cargo executivo. "Eu acho que eu nunca escutei um palavrão no fundo dos bretes", afirma, referindo-se à área onde os peões se preparam para a montaria. "Coisa do agro mesmo: aquele respeito de cumprimentar, tirar o chapéu." E completa: "Onde a mulher está, ela consegue humanizar o ambiente. É um grande diferencial feminino." Em 2013, a PBR concedeu a ela o Sharon Shoulders Award, prêmio criado em 2010 para reconhecer mulheres cujo trabalho e parceria foram considerados essenciais ao esporte. O nome é uma homenagem a Sharon Shoulders, mulher do peão americano Jim Shoulders. Confira o resumo do g1 nos shows da Festa do Peão de Barretos: Confira o resumão do g1 na Festa do Peão de Barretos 2026 Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

FONTE: https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/festa-do-peao-de-barretos/noticia/2026/09/05/do-fundo-dos-bretes-a-diretoria-executiva-da-pbr-brasil-conheca-a-mulher-que-quer-popularizar-a-montaria-em-touros-no-pais.ghtml


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