Deolane Bezerra diz que estava 'trabalhando' ao ser questionada se estava lavando dinheiro para Marcola; VÍDEO

  • 22/05/2026
(Foto: Reprodução)
Deolane diz estar 'trabalhando' ao ser perguntada sobre lavagem de dinheiro para o PCC A advogada e influenciadora Deolane Bezerra, que foi presa na quinta-feira (21), afirmou que estava "trabalhando" ao ser questionada pela TV Globo se estava lavando dinheiro para Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, considerado o chefe do Primeiro Comando da Capital (PCC). Ela foi um dos alvos da Operação Vérnix do Ministério Público e da Polícia Civil. Segundo a investigação, o esquema envolve uma transportadora de cargas com sede em Presidente Venceslau, controlada pela cúpula da facção. A empresa repassava recursos para outras contas, com o objetivo de dificultar o rastreamento de dinheiro. Duas dessas contas estão em nome de Deolane. Ao sair da sede da Polícia Civil, no Centro de São Paulo, Deolane também afirmou que "a Justiça vai ser feita". Ela foi presa preventivamente em um condomínio de luxo, em Alphaville, na cidade de Barueri, na Grande São Paulo. A advogada foi classificada como integrante do PCC, atuando como "caixa" do crime organizado. Inicialmente ela foi levada para a Penitenciária feminina de Santana, Zona Norte da capital. Na manhã desta sexta-feira (22), ela foi transferida para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior do estado. Deolane passou as últimas semanas em Roma, na Itália. O nome dela chegou a ser incluído na lista da Difusão Vermelha da Interpol, um mecanismo internacional para captura de foragidos, mas ela retornou ao Brasil na quarta-feira (20). Em nota, a defesa da advogada ressaltou a inocência de Deolane e afirmou que "os fatos serão devidamente esclarecidos por esta". Deolane Bezerra na saída da sede da Polícia Civil em SP William Santos/TV Globo Operação Vérnix No total, foram seis mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão. Os alvos da Operação Vérnix são: Deolane Bezerra Marcola Alejandro Camacho, irmão de Marcola Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinho de Marcola Everton de Souza, o "Player", operador financeiro do grupo Marcola e Alejandro Camacho estão presos na Penitenciária Federal de Brasília e serão comunicados sobre a nova ordem de prisão preventiva. Até a última atualização da reportagem, os sobrinhos de Marcola estavam foragidos e os demais alvos haviam sido presos. Também foi determinado o bloqueio de 39 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões e de R$ 357,5 milhões em bloqueios financeiros dos investigados. O influenciador digital Giliard Vidal dos Santos, que é considerado um filho de criação por Deolane, e um contador também foram alvos de busca e apreensão. LEIA TAMBÉM: Dona de mansões e carros de luxo: quem é Deolane Bezerra, a advogada e influencer com 21 milhões de seguidores presa Quem são os alvos da operação que prendeu Deolane e mira Marcola e parentes Veja a cronologia da operação que prendeu Deolane Bezerra e mira Marcola e família por lavagem de dinheiro do PCC A influenciadora e advogada Deolane Bezerra chega ao DHPP (Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa), na região central de São Paulo, nesta quinta-feira, 21 de maio de 2026. A operação do Ministério Público (MP) e da Polícia Civil de São Paulo prendeu Deolane Bezerra sob suspeita de ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC). O Ministério Público suspeita que a influenciadora tinha ligação com um esquema de lavagem de dinheiro estruturado por meio de uma transportadora de valores do interior de São Paulo controlado pela facção Leco Viana/The News 2/Estadão Conteúdo Sobre a investigação A investigação começou em 2019 com a apreensão pela Polícia Penal de bilhetes e manuscritos com dois presos na Penitenciária II de Presidente Venceslau. O material deu origem a três inquéritos policiais sucessivos, cada um responsável por revelar uma nova camada da estrutura criminosa investigada. O primeiro inquérito teve como foco direto os dois presos que estavam com os manuscritos. A análise do material apreendido permitiu identificar referências a ordens internas da facção, contatos com integrantes de elevada posição hierárquica e menções a ações violentas contra servidores públicos. Esses dois indiciados foram condenados e inseridos no sistema penitenciário federal. Entre os trechos analisados, chamou atenção dos investigadores a citação a uma “mulher da transportadora”, que teria levantado endereços de agentes públicos para subsidiar ataques planejados pela organização criminosa. Essa menção deu origem ao segundo inquérito policial, que buscou identificar quem seria a mulher mencionada nos bilhetes e qual seria a relação da transportadora de cargas com o grupo criminoso. Entenda a ligação entre Deolane e Marcola, chefe do PCC, segundo a polícia Segundo as investigações, a mulher foi identificada como Elidiane Saldanha Lopes Lemos, então sócia da transportadora Lopes Lemos. Ela já foi condenada, mas está foragida. As diligências conduziram a uma empresa sediada em Presidente Venceslau, posteriormente reconhecida como empresa de fachada usada pelo crime organizado para lavagem de dinheiro. A investigação deu origem à Operação Lado a Lado, que em 2021 revelou movimentações financeiras incompatíveis, crescimento patrimonial sem lastro econômico suficiente e a utilização da transportadora como verdadeiro braço financeiro da facção. Nesta operação, a apreensão do celular de Ciro Cesar Lemos - indicado como operador central - trouxe para o MP e para a Polícia Civil ainda mais informações sobre a dinâmica de lavagem de dinheiro por meio da empresa de fachada Lado a Lado Transportes (ou Lopes Lemos Transportes). Isso abriu uma nova frente de investigação, sobre suspeitas de repasses financeiros e conexões com uma influenciadora digital de grande projeção nacional. A partir das análises, o inquérito apontou que Ciro Cesar Lemos atuava na compra de caminhões, realização de pagamentos, movimentava recursos da cúpula do PCC, executava ordens de Marcola e Alejandro e administrava patrimônio em nome deles, o que o coloca como homem de confiança da liderança da facção. As imagens dos depósitos que favoreciam contas de Deolane Bezerra Santos e Everton De Souza foram localizadas no aparelho celular apreendido na casa de Ciro César Lemos. Ele está foragido, assim como a esposa. Print de conversa que cita Deolane Bezerra como participante de esquema de lavagem de dinheiro do PCC Reprodução Segundo a investigação, os valores provenientes da empresa Lopes Lemos Transportes eram destinados a Marcola, a Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, e a seus familiares. Para as transações, foram usadas as contas de Everton de Souza e Deolane Bezerra. A apuração ainda constatou que essa influencer possuía estreitos vínculos pessoais e de negócios com um dos gestores fantasmas da transportadora de cargas. Foi a partir desse material que nasceu a Operação Vérnix, terceira etapa da investigação, agora voltada a esmiuçar um esquema mais amplo de lavagem de dinheiro, com ramificações empresariais, patrimoniais e financeiras. Os levantamentos apontaram a utilização de pessoas jurídicas, recebimentos de origem não esclarecida, circulação de valores milionários e aquisição ou vinculação a bens de alto padrão por parte de Deolane Bezerra. Para os investigadores, a projeção pública, a atividade empresarial formal e a movimentação patrimonial eram utilizadas como camadas de aparente legalidade para dificultar a identificação da origem ilícita dos recursos.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/05/22/deolane-bezerra-diz-que-estava-trabalhando-ao-ser-questionada-se-estava-lavando-dinheiro-para-marcola.ghtml


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